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Sobre Deuses e Sábios

“Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás seus deuses e o universo em que habita.” (Inscrição (alterada) no oráculo de Delfos, atribuída aos Sete Sábios (c. 650a.C.-550 a.C.)

 

O consultório era decorado com esmero, porém com formas simples. Nem hippie, new bossa, com seus aços, vidros e massas. Havia num canto uma chaise long de cor discreta assinada “Le Corbu”, e ao seu lado um cadeirão de três pés e espaldar reto em madeira escura sem estilo algum. A luz no espaço hexagonal era de um rigor feng shui, trazia cores em tons pastel amplamente iluminada por janelões ocupando quatro lados do hexágono regular.

Senti-me em uma célula de colmeia. No centro ovalado enquanto aguardava a Pitonisa, inserido ao espaço limitador de uma cadeira propositadamente desenhada para seduzir-te e te abarcar e jogá-lo contra yourself.

Enquanto esperava, desesperava-me a ideia de estar ali! Quase de cócoras! – se, não fossem os extensores em coro duplos tencionados como uma malha de rede. Sentado a poucos centímetros do chão, eu me via através de um espelho cristalino que me lembrava a uma bolha d’agua, como se retornasse ao útero, ou o que eu imaginara um dia sobre úteros.

Só sei que enquanto devaneava sentia certo conforto naquele ambiente colo. Uma trip in self! – o centro de tudo que fui, sou e serei. Como se acompanhasse a uma novela atemporal pela tevê, que te leva ao passado tão próximo como ao mesmo tempo lhe parece tão presente.

Um farfalhar de sedas, pedras e metais, formavam harmônicos sinos, e, em seguida um silvo longo retilíneo descendente, me fez fechar os olhos a fim de ouvi-lo melhor.  Uma fragrância antes leve acentuou seu perfume como se fossem vapores intoxicantes me embalando, acalmando-me, centrifugando-me em torno de um grande umbigo, que me acolhia como a mãe acolhe ao filho vacilante, diante de um mundo que se abre entre o passado, futuro e o presente exposto.

Ao abrir os olhos a consultiva, estava em pé, ao meu lado. Trajava um vestido longo em seda, muito bem cortado e bem justo ao corpo tão bem delineado. Com algumas joias, mas o colar de penduricalhos me chamou mais a atenção, cujo qual pôde identificar o tyet dependurando do pescoço languido longo de cor de avelã.

Seu colo firme cheio de tênues curvas se abria em vê por onde se se iniciava duas insinuantes montanhas.  Fez-me lembrar, inevitavelmente, de a deusa Iris, de quando esta se indignava com os deuses e vinha de tempos em tempos, a terra, juntar se aos homens simples.

Ela possuía o poder da maternidade, sacerdotisa de Cronos, o deus com quem se casara. Cronos tinha controle do tempo, o Deus do Tempo, o poder do teleporte quântico, tanto de matéria como da energia.  Cronos ensinara a Iris, o poder de enviar seus consulentes ao passado ou ao futuro em uma espécie de viagem austral.

Bastasse à deusa tocar li-os! Ao mesmo tempo em que, chacoalhando o sistro magico para transluzir a poderosa estrela Spica. Que trazia no alto de seu turbante na forma de uma gema de rubi. Criando um redemoinho de inebriantes sensações, enquanto viaja em busca de suas outras vidas.

Como agora! Que de repente! – como se de um sonho, despertei-me de um cochilo com o balançar da minha comitiva que caminhava ao meio de uma multidão pelas ruelas calçadas de Delfos. Arrastos de sandálias, tropel de burro e a cantilena dos meus soldados. E os escravos no silencioso pesar do não ser.

Ao longo do caminho sagrado, que seguia por um terreno acidentado e íngreme, havia estátuas, relicários com tesouros sagrados e outros edifícios dedicados ao deus Apolo.

Tais monumentos eram construídos por cidadãos ricos, como agradecimento às previsões e conselhos do oráculo.

Meu pai mesmo; teria construído o teatro que se colocava ao lado do Templo Sagrado de Apolo.

A cidade de Delfos era a sede do principal templo dedicado ao deus, e em seus subterrâneos, funcionava o famoso oráculo.

O templo pertencia até então somente a Gaia. Livre de nascimento ou destruição, de tempo e espaço, de forma ou condição. Ela moldou as montanhas ao longo de Sua espinha e vales nos buracos de sua pele. Um ritmo de morros e planícies seguia suas curvas. De sua quente umidade ela fez nascer um fluxo de chuva que alimentou sua superfície e dera lhe a vida.

O Templo era protegido por sua filha titânide, uma gigantesca serpente, que com o proposito de defender seu rincão da ganancia de meros mortais, de semideuses usurpadores e dos outros deuses do Olimpo, Gaia apos um arrebatamento incontido seduziu Urano que lhe dera a semente da concepção.  Quem ousava a desafiar Geia a deusa terra, geradora de todos os deuses, sentiria a fúria das chamas escaldantes e das garras cortantes da serpente Titâne.

Chamavam na, Píton. O deus Apolo teria assumido o controle do lugar, após tentar matar Píton. Esta, extremamente magoada e mortalmente ferida pelas flechas de Apolo. Em fuga, caíra em uma fenda aberta na terra, desencarnado, e seu corpo de serpente, entrado em decomposição rapidamente, gerou os vapores sagrados que exalam das entranhas do monte Parnaso, esse Omphalus onde hoje se ergue Jerusalém.

Transformando o que antes era somente uma fenda no solo em um poderoso oráculo com suas águas ondulantes e o sussurro dos ventos nas folhas das arvores que as circundavam como cílios a proteger o entorno daquele grande olho azul, liquido e constante entre os subterrâneos de Delfos no centro de Gaia.

Ansiava em chegar logo, pois, o tempo urgia e era chegada a hora das festividades que marcariam o retorno de Saturno ou… Cronos, o senhor do tempo. Que iria reger os próximos trinta e seis anos que formariam o novo Ciclo Maior.

 

CONTINUA…

mario

 

  

 Mário Inácio de Oliveira, empresário, poeta e observador comportamental.

 

 

 

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