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Sobre Deusas e Lobas

Alguns homens dizem ser as cavalarias, outros dizem ser os soldados, e outros dizem ser as naus a coisa mais bela sobre a terra negra. Mas eu digo que o mais belo é o que amamos” – Safo -

Delfos era o mais importante centro religioso da Grécia. Entre os séculos VIII a.C. e II a.C., ele fora frequentado e  procurado por imperadores, governantes, generais, guerreiros, mercadores e senhores e senhoras de escravos, até ex-escravos! Todos!

Todos vinham consultar o Oraculo em busca das previsões sobre o futuro, conselhos e orientações sobre o bom ou o mau casamento, sobre a paz e a guerra, sobre o certo e o errado, sobre o lado esquerdo e o direito de achar sobre qual fator no futuro e, o que mais havia de existir, entre essas…

Delfos começava a preparar a próxima sacerdotisa assim que a lua nova de aries se adentrasse as portas dos primeiros graus e auroras da primeira casa, o renascimento rumo ao sol, no momento exato em que o obscurecimento deste, ascenderia à lua nova. E Iris, apoderando se diante de esta onda e tomando se conta deste momento desce a terra dos humanos e juntos surfam à enxurrada dos anseios do homem comum.

A iniciada seria escolhida e seria talhada a semelhança da deusa. E a austeridade com que o conselho de sacerdotes e sábios vindos de todos os cantos empunharia lhes a teu virgem corpo, os faria a nave que seria, a partir de então navegada por Isis, à deusa.

A escolhida teria que reencarnar Píton a Sacerdotisa e começar sua caminhada rumo ao obscuro, as veias abertas de Gea e o eterno desejo da humanidade pelo futuro, se esquecendo do passado construído por eles mesmos. De querer saber o momento da morte. Do exato momento em que ergue irar ao Olimpo. Ou quando deixará o exilio de Gea para nunca mais.

Tudo isto através dos olhos e mente da sacerdotisa que iria ocupar o centro questionador destes tempos de perguntas irrespondíveis. Tendo como conselho a corte dos Sete Sábios e seus sacerdotes, discípulos da encarnação da deusa viva! Visionários, que as acompanharam ao longo do novo ciclo maior que renasce aos fracos raios do sol outonal, no mês de abril.

Exigia-se que esta, tivesse nascido legitimamente, que tivesse sido educada simplesmente e que esta simplicidade fluísse naturalmente de seu ser e costumes. – uma mulher de vida irrepreensível! Escolhida entre os milhares de camponesas. Não deveria conhecer o luxo refinado.

Era de preferencia que fosse criada em uma casa humilde e que fosse a irmã mais velha, advinda de uma família composta por sete irmãos, onde tivesse vivido na mais completa ignorância de todas as coisas por todos os seus treze anos.

Quando uma sacerdotisa tinha seu espírito arrebatado por Iris, sua carne seria possuída por Hermes, divindade muito antiga, o deus da fertilidade, dos rebanhos, da magia, da divinação, das estradas e viagens. E de algumas formas de iniciação, o guia das almas dos mortos para o reino de Hades. Teria os seus eu’s devastados por Apolo.  Seria iniciada por Safo.

Safo lhes ensinaria poesia, dança arte e música, Também lhes desenvolveria as atividades físicas, os banquetes, e os cultos religiosos e, os concursos de beleza.  As iniciadas, agora simplesmente chamadas de hetarai, vindas de todos os lugares da Grécia seriam as ninfas dos jardins de Delfos, discípulas de Safo.

Lá, as hetarais aprenderiam a serem “mulheres completas”, ou seja: graciosas, femininas e elegantes, segundo a ideia de feminilidade de Safo. Essas aprenderiam tudo sobre o gozo real, o júbilo orgástico do infinito particular, de única! De Deusa?!

Lobas solta nos arredores de Delfos, recolhendo os gemidos dos príncipes e os suspiros das virgens, e, no entanto sem esquecer os sêmens dos deuses, os sabores diversos que fundem se tanto e que se confundem tantos, entre cantos encantos, fundam suas bases nos arredores do monte Parnaso. A antena que liga os Deuses aos Sábios, pista de pouso para Hermes e seu caduceu, o mensageiro de boas e de más noticias.

Cada um dos Sete Sábios tinha a divina tarefa de facultar à escolhida para que em um rigoroso teste dentre treze virgens, sairia à sacerdotisa de Delfos, logo que essas completassem seus aprendizados com Safo no instante em que Aries ascendesse em sua casa natal.

Eu seria naqueles tempos um dos sete sábios, compunha a mesa de Apolo, chamada de “A Liga dos Sábios”. Meu pai fora o Sacerdote de Mitilene da cidade de Lesbos, a terceira maior ilha e a sétima maior do Mediterrâneo.

Filho de Hirrádio, natural de Mitilene, fui também general estratégico daquela cidade e liderei seu exército à vitória na batalha contra os atenienses e seu comandante. Como consequência desta vitória, os metilenos dedicaram a mim a mais alta das honrarias! – me concederam o poder supremo; ser um dos sete conselheiros do templo de Delfos nomeado em júbilo pela própria deusa Isis com a benção do deus Apolo.

Era a hora de sagrar a nova sacerdotisa do templo.

Pois a anterior já havia ocupado o lugar consagrado à Themis por um longo ciclo maior.

Trinta e seis sois de aries para ser exato.

A nova Themis, como era o nome dado à sacerdotisa no Grande Templo de Apolo, seria sabatinada por sete dias e sete noites em rodízios entre os sábios por sete semanas ininterruptamente pelos Sete Sábios, o grande conselho sacerdotal criado pelo próprio deus Apolo. Das treze sairia uma, sendo que as remanescentes seria suas consultivas espalhadas pelos doze estados maiores da Grécia.

De repente… Senti-me despertando de um sonho, abri os olhos ainda enuviados de um estado de sono para o do despertar, ainda cedo demais.

Com seu rosto cor de amêndoas com chocolate, a consultiva, após algumas piscadelas cita-me as palavras do desencanto: “desperte-te, viajante, para o começo de uns, de outros, tempo”.

 

CONTINUA…

mario

 

 

Mário Inácio de Oliveira, empresário, poeta e observador comportamental.

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