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Revelações do diário II

Meu diário desculpe-me a demora em lhe confidenciar a causa de meu distanciamento.  Da privação de que lhe inflijo de em suas paginas não mais debruçar-me, suplicando para que dê guarida aos meus anseios.

É que me envolvi com a violoncelista não sabe?! -Aquela em que lhe falei! – aquela que me enfeitiçou! Sim! – Aquela que na livraria me deixou pelo avesso.  Avassalou-me a alma! -Estamos envolvidos até os trapos, ou melhor, estávamos.

É que ela foi se embora! – Com o Quarteto de Cordas e uma carta nas mangas se caso voltar; – Foi pra longe; – foi como se nada tivesse; – foi livre e solta cheirando a manteiga de cacau e amêndoas. Foi com sua cor de violoncelo e textura de seda.

Foi, e deixou-me na lembrança teu riso farto e alegre, seu corpo delgado e ligeiro, seu mel.

Foi se no ultimo equinócio de outono no coração do Brasil.

E hoje, passado os momentos em que festejamos o ano novo astral. O jardim florido e inebriante ao cheiro dos jasmins ainda em broto, velas espalhadas pelos ocos do quintal.

Na canga posta no gramado nos esmagamos em roçar pagãos, suamos nossas defesas e abusamos das dopaminas permitidas em casos de paixão.

Venho pedir te ajuda, a escrever-lhe uma carta.  Carta esta que os transcrevo em suas finas linhas. Paginas casta; – cumplice de meus devaneios.

São Paulo, 22 de setembro de 1997.

Teodora!- Te adoro… Pois me parece que você percebe, quando é a hora certa para escrever-me. Enche-me de alegria e reativa meu ego.

E se por acaso esta aborrecida para comigo, dou lhe razão. Mas por favor, perdoe-me.  Andei meio desligado e prometo ligar-me no decorrer do ano.

Sinto muito a tua falta e me vejo só, pois, a única que me entende em corpo e alma se encontra a milhas daqui.

Não se ofenda meu diário, tenho a ti também. Mas em breve teremos tempo de rir do tempo em que chorávamos em cartas. Desculpe desabafar com você o que sinto no momento. É o mal de ser humano ver no amigo o poço das lamentações, onde se afoga em máculas e esperanças.

- Agradeço-te imensamente neste vil momento de tela como amiga; – quando na verdade sinto um calafrio e dormência nos sentidos, o calor e o enrijecer do meu outro eu, ao sentir seu cheiro nas folhas em que transgrede as promessas de nunca escrever a quem se ama, pois assim, corre se sérios riscos de padecer nas lamúrias e sôfregos arquejos dos gozos de outrora.

Mas tudo tem um limite Teodora! Não é verdade?

Fiquei feliz de ler em sua carta o quão otimista esta. E espero que realize os seus propósitos, por certo que irá! E da minha parte acho que você merece e muito mais.

Penso sempre em você (parafraseando sua derradeira carta).

E me pergunto! – por quê?! – porque gosto tanto de você? – por quê?!  << você é linda e sabe viver, você é linda sim, é mais que demais, você me faz feliz>> – lembrando nossa musica que assim tornou se, enquanto nos banhávamos de luz, lua e beijos nus na superfície da pele, cada centímetro sentindo seus pelos crespos no duro e teso – “mjolnir”. Que agora repousa sobre a fina pele dos ovos, sem animo, sem forças.

O meu trabalho anda dando trabalho; – acho que este ano novo vai ser puro! – pois, Aquarius… Ainda ilumina a casa do impensável, onde tudo se conquista; – apesar dos pesares sinto me vivo e disposto a erguer meu martelo antes que o louro Thor se habilite.

Quanto às namoradas! – nada posso dizer a respeito, a não ser que sou mais uma vitima! Elas não me veem e nem eu as vejo. Diante de nossas incautas promessas. A mais permissiva seja a de amar sem tréguas e para sempre. Mesmo que nem sempre se cumpra, mas sempre se confirma promessas.

Talvez devêssemos esquecer estes antiquados hábitos de se sentir mesurado, e seguir viagem quando a Vênus nos vem.

Amar pode dar certo! – o certo é que estarei por aqui, quando certa fragrância me tomar às narinas e sua presença tornar se presente, todinha para mim.

Feliz Equinócio de primavera que traz a promessa das flores florescerem no quintal, e os pássaros fazerem ninhos nos ocos do jardim.

Dois Mil Beijos, mil novecentos e noventa e sete saudades… Enfim.

Fecho o diário, ligo o som, acendo um cigarro e de súbito! – Amanha é quinta! – Qual sebo saciará o meu vício?!

Prometo querido diário que este será diferente. Até amanha, e se tempo faltar, fartar-te ei de escritos quanto tempo terei.

mario

Mário Inácio de Oliveira, empresário, poeta e observador comportamental.

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