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Author Archives: Santiago Gomes Santiago

Em tempos difíceis, uma boa fogueira é melhor que nada.

SEM FRONTEIRAS – mármore

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Seus olhos eram mármore: esbranquiçados e fixos, fitando-me de longe. Não pude deixar de notar seu esforço ao se virar, vagarosamente, na cama… Sutil e vagarosamente… Isso tudo para evitar dar conta da dor que te consumia por meses (anos, séculos) a fio. “Deixe-me sonhando na cama, vejo você de volta aqui amanhã…”, dizia a canção… “Tudo bem, mulher… Isso tudo algum dia passará… Esteja certa disso.” – sussurrei enquanto dedilhava alguns acordes vagabundos de tão simples, mas que, por fim, era tudo o que tinha para dar além do som constrangedor dos monitores cardíacos.   Aperte o Play É ... Read More »

CONVERSAS DE BOTECO – entulho

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“Eu tenho aquele sentimento… Aquela sensação ruim que você desconhece. Eu nem mesmo a conheço, mas espero que ela te conforte esta noite.”, dizia a canção. Estava, de sorte, abafado naquele fim de tarde (infinita tarde). Uma garoa fina se perfazia junto ao cenário melancólico enquanto eu estacionava meu carro próximo ao bar. Era a semana que antecedia o natal, não que ligasse muito para essas datas, mas respeitava a atmosfera consistente e impregnada de emoção que se fazia em tal época. Garoava… Uma garoa fina e a brisa leve não acalentava o momento em que o Sol se esforçava ... Read More »

ENCONTRO MARCADO – Pergunte ao pó

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Seria um dia comum de trabalho… “Mais um dia”. Entro no carro e sigo para meu ponto, em algum lugar da cidade: “Não, querido… Não como hoje… O celular ainda não era tão comum naquela época, não seja idiota: trato aqui do final da década de noventa, esqueceu? Tempo em que se quisesse chamar um táxi, simplesmente deveria tirar sua mão preguiçosa do bolso e estendê-la, caso visse a luz da etiqueta sobre o carro acesa…”. Voltando… Seria um dia comum de trabalho, não fosse aquela dor de cabeça perturbadora. Não me recordo do valor do taxímetro ou da cara ... Read More »

ENCONTRO MARCADO – Coisas preciosas

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“Eu me apaixonei por ele e jamais o esqueci… Faz dezessete anos.” – disse com lágrimas nos olhos. – “Talvez porque tudo o que me tornei, até mesmo aqui, lugar e condição onde me encontro, seja mera sombra daqueles tempos… Tempos de más escolhas (viscerais escolhas). “Funciono “, segundo até mesmo meu próprio psicanalista, dessa maneira: com intensidade cega… Entrego-me por inteiro à experiência, dando-me como tudo o que realmente possuo, a tal ponto que não restou nada de mim mesmo a não ser isso o que vê junto a minha própria prédica, que ainda assim é permeada pelo reflexo ... Read More »

SEM FRONTEIRAS – Homem sem face

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- Você está com medo? – Perguntou ao filho enquanto se esforçava para se erguer, em vão, de sua cama. - Não, pai… E o senhor… Está? - Jamais, rapaz… Eu, com medo? Eu não. Ele chegou a se despedir. Falou sobre vida e morte: “Faça o que é certo…”, disse enquanto se ajeitava, “Faça o seu melhor e não deseje mal a ninguém… Livre-se do mal.”. Contou sobre a experiência de, em tempos de crise, se lançar à sorte ao adotar três crianças órfãs de pai e mãe, dentre elas, eu mesmo: “Comíamos pouco, mas comíamos…”, entregando-se, exausto, ao ... Read More »

ENCONTRO MARCADO – Luz dos olhos

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Já toquei em alguns lugares… Desde lugares ordinários até mesmo em alguns poucos mais sofisticados. Mas algo sempre me atraiu para os subúrbios, para as sarjetas – o meio fio, ou sob a luz débil de uma luminária no coração de uma praça abandonada junto às folhas que se acumulam à merce dos ventos entre os declives, onde as estações se amontoam fruto do descaso iminente –, mas nada comparado a aquilo… Não me refiro a um lugar físico e palpável, mas a um olhar. Costumo escrever à noite, normalmente acompanhado de um bom vinho e hoje não foi diferente: ... Read More »

SEM FRONTEIRAS – Chakana

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A ironia da tragédia é que, ao mesmo tempo em que separa algumas pessoas, aproxima outras… Não era a primeira vez que eu encontrava aquele homem entre os corredores e sabia: não seria a última. Ele aguardava um “coração novo” havia pouco mais de três meses… Nossos encontros passavam a ser frequentes e, naquela tarde, ele estava desacompanhado de sua esposa que, normalmente, o fazia companhia. - Uma pena ela não estar aqui hoje… – Disse ele enquanto se levantava do sofá. E o ajudei a desconectar da tomada a bomba de perfusão… Só estávamos eu e ele no corredor ... Read More »

ENCONTRO MARCADO – Preâmbulo

Sanatório - Sanatorium

O que é longe se torna ainda mais longe quando envolvido pelo trânsito oriundo do rush das grandes cidades. Fazemos de tudo para tentar preencher o tempo em que ficamos parados, impotentes, observamos o Sol se pôr impiedosamente levando o tempo da nossa vida junto enquanto permanecemos ali: estáticos. Por sorte, ofereci carona ao padre – desses que dão a extrema unção e tomam vinho canonizado, mas que é vinho do mesmo jeito –, colega de sala e companheiro das oficinas terapêuticas. Não… Não estávamos passeando… Voltávamos exatamente de uma das oficinas que desenvolvíamos em uma casa de saúde para ... Read More »

SEM FRONTEIRAS – Algum lugar que só nós sabemos

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Vagueando entre as velhas memórias a fim de encontrar uma dose de conforto, melancólico, eis que um perfume antigo inunda minhas narinas… “Damas da noite”: a doçura marcante entre as rosas junto ao peculiar som das primeiras gotas de chuva que caem sobre o asfalto quente numa tarde de verão. Desviei do transito, daqueles peculiares das grandes cidades, e decidi cortar por algumas ruas conhecidas as quais vivi bons momentos em minha vida… “Quem sabe paro naquele antigo café, já que estou com um pouco de tempo…”, pensei. Mas tudo estava diferente. Havia anos que eu não passava naquele velho ... Read More »

SEM FRONTEIRAS – Coração corinthiano

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Não é incomum, entre os corredores, encontrar pacientes que, entre um quarto e outro, aguardam por longo período, um transplante de coração. Foi o caso daquele que, sem me recordar o nome, atendia simplesmente por “Corinthiano”. Já estava lá algum tempo – de um ano e meio para mais – e eu me lembro da primeira vez em que o vi: devoto… Ainda que, trazendo consigo uma bomba de infusão, trajava elegantemente o uniforme do seu time. Um homem de voz firme e com um largo sorriso no rosto. Aparentando pouco mais de cinquenta anos, não se fez de rogado: ... Read More »

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